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A mostrar mensagens de julho, 2025

Corrimões da Minha Jornada

  Corrimões da minha jornada Às vezes me sinto sufocado, Como se o ar me faltasse, Como se vivesse em gravidade zero, Flutuando entre pressões e expectativas. A vida grita que eu pare, Mas meu coração só sabe correr. Há dias em que tudo que eu queria Era um atalho para fugir da dor, Um caminho menos espinhoso, Um abrigo no meio da tempestade. Mas então... Caio. Me levanto. Rio da vida, avanço, resisto. Porque lembro do teu olhar, mãe — Sereno, firme, cheio de esperança. E vejo em ti, pai, A coragem silenciosa de quem luta, De igual pra igual, Mesmo quando o mundo pesa mais do que parece suportável. Homens de baixa estatura, Mas pais à altura dos maiores sonhos. Subo esta escada há 21 anos e 22 dias, E os corrimões que me sustentam, Em cada passo incerto, São vocês, mãe e pai. Nenhum verso é suficiente Pra traduzir a grandeza da missão que assumiram — De nos moldar, com paciência e sacrifício, De nos tornar o que hoje somos E ainda assim, todos os dias, ...

Quimera (parte 3)

  Quimera Já deixei o inverno para trás, é primavera, Mas o amor... ainda é só uma quimera. Ah, quem me dera poder sonhar contigo, E criar, no meu silêncio, um abrigo — Uma quimera linda, só minha, só nossa. Sóbrio, enclausurado em minha quarentena, Os nossos planos — algures, Costa do Sol, Macaneta — Agora distantes, perdidos na bruma pequena. O resultado? Tão óbvio, tão frio... Tu és apenas ideia, invenção, vazio. Miúda que nasceu da minha imaginação, Num devaneio doce do meu próprio coração. Me diz, afinal, qual é a direção? Se tudo o que vivo é pura invenção, Se tudo que sigo é só o coração... Às vezes quero lançar tudo ao vento, Mas o toque gelado, no meu pensamento, Traz tua imagem em pleno relento. E percebo: é tudo ilusão. Pura ficção. Só queria viver aquela história inventada, Que a gente sonha antes de dormir, calada — Aquela obsessão tão coesa, tão bela, Que nos embala em noites sem janela. "Cada um tem a vista da montanha que escalar", Diss...

Uma Vez um Homem disse...

  Uma vez um Homem disse... Eu vejo! Disse o homem sêgo Todo ele atolado em seu ego "De tapar os olhos eu me nego" Chamam-me egocêntrico Sim, estou sempre a falar de mim Que patético Eu Prefiro ser assim Ao invés de estar sempre a sussurrar sobre quem seja um pouco diferente Anhhh! Ao Universo? Prefiro ser indiferente Como nas raras rimas que em páginas pálidas eu verso A vida é um jogo! Olhe o horizonte — disse o homem sêgo Surfando em seu ego Tu não vês — questionou o homem sêgo Todo ele indiferente à sua cegueira A vida é a madeira, tu só podes ser o martelo ou o prego Como o martelo, tu serás o elo entre a madeira e o prego Está tudo ligado           De Ivanildo Penga

Adeus poetas

Adeus poetas Lá vou eu Me despedindo outra vez Cansei de viver no talvez Mas talvez nunca tenha sido meu Quem sabe uma confusão de nitidez Mesmo assim vou eu Mesmo podendo ser estupidez Este mundo deixou de ser meu Adeus poetas Este mundo fechou-me as portas Talvez seja hora de experimentar novas rotas Mesmo as certezas sendo tortas Onde as linhas curvas tornam-se rectas E vice versa Lá vou eu poetas Este coliseu abriu-me as portas E de longe vejo várias rotas Embora tortas Oh poetas Toquem-me as trombetas Versando as minhas estrofes insertas E que nas vossas memórias elas sejam certas Meus poetas Versem as minhas frases controversas Cantem elas em conversas Eis que não cumpri as promessas Que as fiz ao fechar as minhas páginas de incertezas De Ivanildo Penga, em Poetas