Novas Paixões
Como te versar, amor?
Se nem de amor deixas que eu te chame.
Queria poder odiar-te,
mas perco-me nos labirintos do teu olhar profundo.
O meu coração num piripaque,
ao tom do tic-tac,
bombeando frases controversas,
cheirando mentiras que geram notáveis desconfianças.
Como te versar, amor,
se a tua presença me deixa gago?
A tua voz embaralha os versos que te trago.
Como dizer, em letras boldadas, o quanto te amo,
se a palidez me afoga
e me escasseiam algarismos
para quantificar o meu amor por ti?
Versei-te frases bordadas
no meu coração rasgado,
mas, infelizmente, não as compreendeste.
Tentei explicar-te que,
na equação química entre o amor e eu,
tu és o catalisador —
e tu não curtias química.
As lágrimas inundaram o rascunho
e afogaram o sentimento
junto às palavras
que lá eu escrevera.
De Ivanildo Penga, em Novas paixões
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